Mato Grosso do Sul o estado do divórcio

Segundo IBGE, MS ocupa o 2º lugar no ranking nacional com 3,71 maior taxa de divórcios do país, atrás somente de Roraima que atingiu 3,78

O número de divórcios por ano no Brasil cresceu cerca de 160% desde 2004. A pesquisa revela que um a cada três casamentos termina em separação no país. Registros de 2015 mostraram que foram efetuados 12.204 divórcios em Mato Grosso do Sul, dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A faixa etária registrada foi de 42 anos para o homem e 39 anos para a mulher. A média de duração dos casamentos no estado é de 13 anos e a maioria dos divórcios acontecem com casais héteros que possuem filhos menores de idade. No Brasil a normalidade é de 15 anos e o intervalo etático para homem 43 anos e 40 anos para a mulher. Segundo informações do Cartório 9º Ofício Zamperlini de Campo Grande, o custo do divórcio depende do patrimônio a ser partilhado. Se não houver bens envolvidos a taxa é de R$176,85 (Cento e setenta e seis reais e oitenta e cinco centavos).

De acordo com o advogado Diego Canzi Dalastra, o Direito de Família gera grande demanda dentro de um escritório de advocacia, geralmente quem toma a iniciativa de pedir o divorcio é a mulher. “O elevado número de divórcios em nosso país pode haver uma explicação de cunho sociológico, as relações humanas na atualidade estão mais voláteis e dinâmicas, a mulher mais independente financeira e emocionalmente. Casar e separar se tornou algo simples e normal.”

A psicóloga, Camila Marcon Reich com formação em Sexologia Clínica observa que a procura pela terapia de casal tem aumentado. No geral, são as mulheres que procuram mais pelos serviços de saúde. “Os casais buscam ajuda de um terapeuta porque em primeiro lugar, querem permanecer na relação e por algum motivo o canal de comunicação entre os dois já se esgotou. Eles se amam, mas não conseguem demonstrar esse amor’’.

Com apenas 32 anos a cirurgiã dentista Mariana Ventrella carrega marcas de dois casamentos frustrados.  Mãe de três filhos, ela conta que há dez anos atrás casou a primeira vez no civil e religioso com 19 anos, a relação durou três anos e hoje o filho tem 13 anos. Em seu primeiro relacionamento sério, acompanhado de uma gravidez, a falta de maturidade e a falta de preparo do casal, contribuíram para o rompimento. “Mesmo com as dificuldades vividas achava que a separação estava distante de acontecer. Tive dificuldade para aceitar o rompimento, foi um processo bastante doloroso”, confessa.

O segundo relacionamento da dentista não foi oficializado, permaneceram juntos por seis anos e há dois meses estão separados.  Das boas lembranças lhe restaram duas belas crianças. Uma menina de 5 anos e um bebê 10 meses. Neste caso inúmeros conflitos sufocaram a união: A falta de confiança, insegurança, situação financeira, falta de planejamento e organização. Para ela o aprendizado desta história é jamais se envolver com outra pessoa, que não tenha resolvido seu relacionamento anterior. “Da mesma forma que começou, terminou nosso relacionamento, com traição”, declara.

Para Mariana,  além do crescimento pessoal com a experiência,  nasceu uma nova mulher; mais madura, confiante, com autocontrole, aprendeu a se amar mais, valorizar-se e tem dicas para compartilhar: “Demonstre ao parceiro o quanto ele é especial para você, tenha diálogo, se respeite e exija respeito. Seja companheira em todos os aspectos para ter um relacionamento mais feliz e saudável, faça para o outro o que você gostaria de receber em troca.”

Na maioria das vezes o melhor caminho é a separação, de acordo com psicóloga Camila, especialista em Sexologia Clínica. “Hoje é muito comum as pessoas se casarem por causa da paixão, apesar de intensa, esse sentimento tem curta duração. Dura em média, doze a dezoito meses e é caracterizado pela euforia, o companheiro está com muita energia para se dedicar aquela relação”. Nesse canal desenfreado de sentimentos borbulhantes marcado pelo interesse e atração, não é necessário grande esforço para agradar. “Tudo é muito automático, você tem uma enxurrada de hormônios e neurotransmissores no seu cérebro que fazem com que você se dedique a relação e valorize a pessoa que está ao seu lado”, explica.

Continuando a linha de raciocínio, se a pessoa quer que sua relação sobreviva após o encantamento, saiba que isso vai exigir construção e investimento, como tudo na vida requer esforços. Estejam preparados para isso. Quando a paixão acaba, o que vai determinar o sucesso desse convívio serão justamente o esforço e a consistência. “O casal vai precisar investir energia na relação, estou me referindo a você utilizar pequenas demonstrações de afeto, valorização e agradecimento no cotidiano e isso é um “esforço’’ que pessoas tendem a não estarem preparadas para fazer, então temos talvez uma explicação de porque hoje os relacionamentos se rompem com tanta facilidade”, justifica a psicóloga.

O advogado explica que há dois casos, no primeiro quando apenas um cônjuge tem interesse no divórcio, este necessariamente será litigioso. Haja vista a falta de consenso ao fim do matrimônio ou quanto à partilha de bens. Já no segundo caso, ambos os cônjuges pretendem se divorciar, este será consensual e poderá ocorrer das seguintes maneiras: via procedimento administrativo/extrajudicial, podendo ser realizado em Cartório, quando inexistir filhos menores; ou via judicial, quando houver filhos menores, haja vista o interesse do Estado na tutela de direitos dos incapazes, como na fixação de pensão alimentícia e determinação da guarda. É muito particular de cada caso, mas os serviços advocatícios segundo a tabela da OAB-MS, o valor mínimo a ser cobrado é R$ 2.100,00 (Dois mil e cem reais).

Para Diego Dalastra a falta de conhecimento a respeito de si próprio e das adversidades do cotidiano na convivência a dois, vão desgastando o relacionamento até chegar num ponto insustentável. Falta investimento emocional. Cuidar da relação para que ela não se desgaste. Nenhum casamento começa com a intenção de acabar, mas infelizmente acontece  e é preciso sair dessa situação bem resolvido, tanto no que diz respeito às questões jurídicas, como emocionalmente. “Os motivos são os mais variados possíveis, mas o mais interessante é que adultério de fato não é o principal motivo. Questões financeiras e problemas irreconciliáveis acredito ser o maior entre os casos”, afirma.

De maneira simplificada, quando o casal apenas deixa de viver junto como marido e mulher sem recorrer ao judiciário, diz-se que o casal está separado. A separação não quebra o vínculo jurídico do casamento e as suas conseqüências, ou seja, os envolvidos nesse processo não podem casar outra vez enquanto não estiverem divorciados. Para o advogado o casamento é uma espécie de sociedade entre as partes, onde além de toda parte emocional envolvida, existe o patrimônio e todas as suas particularidades. Mas o importante neste processo são as pessoas envolvidas, há um desgaste desagradável para todos, então se possível, contrate também um psicólogo, a ajuda deste profissional é imprescindível para o bom andamento.

Mariana recém-separada observa que o filho mais velho fruto do primeiro casamento não teve nenhum comportamento atípico com a separação, o adolescente tem pouco contato com o pai e as visitas são livres. Já o segundo relacionamento, a pequena de 5 anos ficou doente por alguns meses logo após o rompimento do casal e o bebê de 10 meses foi gerado quando o pai já estava ausente, por tanto não apresentou sintomas.

A psicoterapeuta especialista em crianças e adolescentes, Renata Clares Hammes adverte que mudanças bruscas na rotina familiar podem causar sentimentos de angústia e ansiedade, sendo manifestado através de diversas situações tanto no ambiente familiar como escolar.

Cada criança reage de uma forma, no dia-a-dia é importante observar algum comportamento atípico a sua personalidade, como por exemplo: uma criança calma passar a ser mais inquieta, agitada, ter pesadelos ou até mesmo fazer “birra” quando deseja algo, na tentativa de demonstrar seu sofrimento, quando não há ainda maturidade de expressar através da fala. Chamar atenção com comportamento mais regredido para reparar seu sentimento de abandono e tentar que o casal se reconcilie também é comum.

“As emoções desencadeiam medos, como a do abandono, da rejeição e isso poderá influenciar nas relações futuras, na idade adulta. Têm crianças que se sentem culpadas pela separação dos pais. É muito importante o diálogo dos pais e tranqüilizá-los de que tudo ficará bem. Explicar que uma separação não é uma perda” orienta Renata Hammes.

 

 

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